2009/05/20

Biblioteca Itinerante Fundação Calouste Gulbenkian




Quem não se lembra da Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian, que durante muitos anos percorreu a ilha de São Miguel e Portugal Continental levando os livros a freguesias onde o acesso à leitura era praticamente impossível?
No meu tempo, a Biblioteca Itinerante parava à frente da actual escola, na Rua das Escolas. Não tenho a certeza, mas julgo que vinha uma vez por mês, sempre no mesmo dia.
Como tinha alguns livros em casa quando era pequeno, nunca atribuí o merecido valor àquela biblioteca, mas percebia que, para muitos, o momento da chegada da biblioteca era um momento mágico.
Alguns alunos e alunas, impacientes, não conseguiam esperar pelo intervalo e pediam para sair da aula com o intuito de ir à carrinha devolver os livros que tinham trazido de manhã, querendo ser os primeiros a escolher as próximas aquisições.
Não sei quando começou a visitar o Porto Formoso, talvez nos anos 60/70, mas sei que no início dos anos 90 a carrinha foi embora e nunca mais a vi.
Mesmo não sendo um leitor assíduo, recordo a emoção da chegada daquela estranha carrinha, diferente de todas as outras. Parecia saída de um filme! Era uma Citroën HY cor de tijolo. Tinha duas portas na traseira, sendo a entrada, então, por trás. As prateleiras ficavam nos lados, organizadas por temas. Ao fundo existia um balcão e atrás dele um senhor que não me recordo o nome nem a cara. Era ao mesmo tempo motorista e bibliotecário. Não queria muito barulho dentro da carrinha, tentando manter o silêncio próprio de uma biblioteca não ambulante.
Naquele tempo, a “invenção” de colocar bibliotecas itinerantes a facilitar o acesso gratuito à leitura em freguesias remotas, onde as famílias apenas tinham dinheiro para roupa e comida, foi um marco no acesso à cultura e mais um passo para a “abertura de espírito” da fechada comunidade do Porto Formoso.
Actualmente, o acesso aos livros é incomparavelmente mais fácil e existem bibliotecas municipais interessantes que na altura não eram muito mais do que um simples arquivo morto. Assim, não é fácil, aos mais jovens, perceber a importância daquela carrinha que, para muitos jovens, era a única forma de conseguirem ter e ler um livro.
ps. fotos recolhidas na internet

2009/05/04

Império dos Moinhos

Já cheirava a Verão, mas costumava fazer frio à noite. A barraca era feita com a ajuda de uma barreira de terra que parecia estar lá de propósito. O bazar era lá ao fundo, numa garagem como todas as outras. Era o império mais pequeno de todos.
Na altura, nem percebia porque se fazia aquela festa, contudo, parecia-me diferente: era uma festa da freguesia sem ser na freguesia! Estranho caso aquele.
Acabava sempre mais cedo do que as outras festas, pois o dia seguinte era dia de trabalho e o aconchego de casa ficava mais longe, ainda para mais com as peripécias de uma subida do arrebentão sujeita a objectos voadores a baixa altitude. Eram as "louvadas" que caíam sem avisar, aptas a deixar qualquer um inconsciente ou, caso não acertassem no alvo, capazes de transformar um simples ser vagaroso num velocista que subiria o arrebentão em dez segundos.
Este ano volta a não haver Império dos Moinhos.
Faz falta!

ps. em conversa informal, fui desafiando um ou outro habitante da zona a reunir esforços de novo e todos ficaram com um brilhozinho nos olhos. Pareceu-me que faltava pouco. Falta alguém que os mobilize e que apele às origens.

E-mail

acasadamosca@yahoo.com

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Início de Colheita - Chá Porto Formoso | 2 de Maio

Lido e percebido

"Onde está a minha terra? com o seu cheiro do mar misturado com o do trigo...que a brisa trazia da "ponte" até ao meu "jardim" onde me deliciava com a conversa do "tio evaristo"???...Está tudo tão perto da minha alma pois tudo faz parte do meu ser... Foi neste Porto Formoso que nasci, cresci e saí ficando para sempre.", comentário colocado por um anónimo no post Esclarecimentos em 14/02/2008

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