2009/12/28

O Natal de Diamantino

Convido-os a viajar, no Natal de Diamantino, através das páginas do Correio dos Açores. Um Natal diferente de muitos outros. Pois sabe-se que a vida dá muitas voltas!



Diamantino Caetano, pai de 18 filhos, é um lutador na vida. Começou do nada. O ordenado de condutor nunca lhe deu para grande coisa. Natural dos Ginetes, casou no Porto Formoso. Da esposa teve nove filhos. Tinha 40 anos quando se enamorou de uma jovem vizinha. Hoje, 24 anos depois, continua convencido que foi o amor que o fez mudar. Foi viver com a Maria do Carmo para uma casa arrendada na sua terra natal, os Ginetes onde criaram nove filhos seus. Uma habitação que, com a preciosa ajuda do padre Weber Machado, agora é dele, está a ser ampliada e continua a não dar para toda a família. O Natal? Bom, vivem-no como podem, com enormes carências. Mas vivem-no .
Este Natal não vai ser diferente dos outros em casa de Diamantino Caetano, 65 anos, pai de 18 filhos que foram fruto de dois casamentos. Cada uma das mulheres criou nove filhos. E, dos 18, sete ainda vivem com o pai e a actual esposa, Maria do Carmo, 41 anos de idade, uma mulher de fibra que tem uma forma peculiar de mostrar a sua revolta aos jornalistas. Foi condutor na empresa de Manuel Moniz de Sá, onde esteve quatro anos, na Padaria da Maia, onde também trabalhou quatro anos. E, nos Ginetes, mais recentemente, foi condutor do grupo Marques. Actualmente, é pensionista e recebe Rendimento de inserção Social. Tal como sempre sucedeu na vida de Diamantino, a família é grande e o dinheiro é pouco para alimentar tantas bocas. Quando lhe perguntámos se o rendimento que tem é suficiente para sustentar tantas bocas, afirma que vive conforme o que tem. A verdade é que o dinheiro não chega para ter uma casa maior e mais confortável e também deu para comprar os presentes para as crianças neste Natal. A grande ajuda da família tem sido o Padre Weber Machado, que Diamantino considera ser um pai para si. Não há melhor pessoa do que ele, realça com emoção na voz. Criado nos Ginetes, Diamantino foi encontrar o seu primeiro amor no Porto Formoso, tendo resultado deste casamento, os primeiros 9 filhos. Apesar de ter sido um casamento por amor, - que durou à volta de 11 anos - Diamantino viria a encontrar um outro amor, uma vizinha com quem está a morar na sua terra natal, os Ginetes, ao lado de sete dos nove filhos do casal, alguns ainda menores, mais quatro netos. Quando o perguntámos se encontrou um novo amor em Maria do Carmo, responde peremptório: Já se sabe, senão não me tinha mudado.

Vivem comigo tantos que só contando

Diamantino Caetano é, na realidade, o chefe de uma família numerosa, uma entre as muitas famílias micaelenses que passam este Natal com dificuldades. Vivem em condições precárias, numa casa onde os espaços são muito reduzidos, oferecendo pouco conforto à família. O patriarca esperava os jornalistas no canto em baixo de uma ladeira de terra que as chuvas dos últimos dias esburacaram, tornando-a quase intransitável. Subimos o pequeno morro em direcção à casa e cedo percebemos que vivia num aperto tanta gente em tão pouco espaço. Entrámos, passámos uma minúscula sala onde as crianças se amontoam em frente a um ecrã de televisão e sentámo-nos numa pequena cozinha em redor de uma mesa onde, à refeição, não cabem todos. Diamantino começou, então, em tom afável, a contar a sua vida. Não cumpriu serviço militar pois um nome errado constava do registo civil, algo comum naquela altura. Diamantino Caetano viu o seu nome registado como Diamantina, o que lhe valeu um susto. Na altura, para casarem, os rapazes tinham que ir buscar um documento ao Distrito de Reserva. Quando lá chegou ficou logo detido por não cumprir serviço militar. Depois de explicar as razões porque não integrou o exército, deixaram-no ir. Não me deixavam sair e queriam obrigar-me a ir à Terceira. Eles não chegaram a prender-me mas não me deixaram sair. Enquanto espera pela esposa, Diamantino vai fazendo contas à vida para saber quantas pessoas moram na mesma casa com ele. São tantas que só contando, argumenta. Ficamos a saber, então, que na mesma moradia residem 14 pessoas. Uma grande família, sem dúvida, com imensas dificuldades. Uma casa demasiado pequena para tantas pessoas e rendimentos muito baixos para sustentar tantas bocas.

Esposa revoltada com a situação

Maria do Carmo chegou junto dos jornalistas muito zangada e revoltada com a situação em que vive.
Com muitas pessoas a morarem na mesma casa, Maria do Carmo não tem mãos a medir com a quantidade de roupa para lavar e a casa para arrumar. Chega intempestiva junto aos jornalistas, mas não tem tempo para nos atender. Os senhores têm máquina de lavar que seca num instante, não é? Eu lavo à mão e tenho 14 fios com roupa estendida e tenho mais roupa para lavar, afirma num tom de poucos amigos. Perante a perspectiva de receber apoio para que a família viva melhor, a esposa de Diamantino Caetano diz não acreditar em milagres. Em redor da casa há, de facto, 14 fios com roupa estendida, e ainda tem mais um monte de roupa para lavar. Muito revoltada com a situação em que a família se encontra, Maria do Carmo recusa dizer o que quer que seja aos jornalistas pois, como afirma, o que precisa é de ajuda e não de aparecer no jornal. A diferença de idades entre Diamantino e Maria do Carmo é de 24 anos. A diferença de idades é notória mas Diamantino afirma darem-se quase sempre bem mas, outras vezes, zangamo-nos. Em todas as casas, geralmente, é assim, completa.

Ainda hoje vivemos com dificuldades

A agravar as dificuldades financeiras com que a família lida diariamente, vem juntar-se o facto de Diamantino ter, agora, debaixo do seu tecto e quase exclusivamente do seu rendimento, os 4 netos. Ainda recentemente, como explica, o pai dos menores veio colocar dois netos em sua casa porque o pai (marido de uma das filhas) largou-os. Os pequenos não têm culpa do pai ser drogado, afirma. Dos sete filhos que vivem com Diamantino, quatro estão na escola. Diana está no 7º ano e explicou-nos que está a repetir o ano. Deixou claro que não queria fotografias. O filho mais novo do casal vai fazer sete anos e o mais velho, com 24 anos, é o único que trabalha mas já não vive debaixo do tecto dos pais. Questionado acerca das actuais dificuldades económicas da família, Diamantino responde que o dinheiro sempre dá conforme a gente o amanha. Se eu tiver 10 euros só posso gastar 10 euros. Ainda hoje vivemos com dificuldades e vamos vivendo conforme o dinheiro dá. Ganho de reforma 360 euros e pouco mais de 300 euros de rendimento mínimo. Portanto, o patriarca e a família vivem da sua reforma e do rendimento mínimo, sem qualquer outro ordenado pois os filhos estão a ser afectados pela crise e estão a cair no desemprego. Este Natal, Diamantino Caetano e a família, que vivem numa casa com apenas 4 quartos, vão passar o Natal com dificuldades e, como realça Diamantino, na ceia de Natal vamos comer o que houver, um bacalhau ou carne, conforme o que der. Na casa, apesar de pobre, não falta o presépio e a árvore de Natal, tudo à dimensão da situação económica da família. Com tantas crianças para dar presentes, os rendimentos da família não chegam para todos. E, como explica Diamantino, geralmente são os padrinhos que oferecem as prendas.

Eles podem ser alguém na vida

Diamantino apenas espera que este Natal e o próximo ano sejam bons, isto se eu lá chegar, porque eu já não vou para novo, refere. Quem tem ajudado muito a família de Diamantino tem sido o Padre Weber Machado, a quem Diamantino refere ter sido um pai para eles. A pequena casa onde habita a família já foi mais pequena. Diamantino e Maria do Carmo ocuparam-na de renda. Com a ajuda do padre, acabaram por a adquirir e ampliar a habitação. As obras vão-se fazendo aos poucos e ainda não estão concluídas. Na casa de Diamantino, a acompanhar a pobreza, há humildade e o amor não falta. Vive rodeado da mulher, que embora zangada, não baixa os braços e permanece.


Reportagem publicada no Jornal Correio dos Açores, a 24/12/2009. Autor: Fátima Ferreira

2009/12/27

Chuva intensa

Depois de um mês de Dezembro de muita chuva e vento, como já não se via desde há muito, chove intensamente neste momento.
As terras estão saturadas de água e, como sabemos, nestas alturas o Porto Formoso é uma zona de risco devido às inúmeras ribeiras e declives. Sabe-se que houve algumas derrocadas na zona dos Moinhos.
É nestas alturas que percebemos que o Núcleo Local de Protecção Cívil do Porto Formoso é imprescindível.
Quando houver incidentes em muitos locais da ilha ao mesmo tempo ou se a estrada regional ficar intransitável vamos ter de ser nós a ajudarmo-nos uns aos outros nas primeiras horas... que são as mais importantes.

2009/12/22

Boas Festas Portoformososenses


foto do Porto Formoso visto da estrada regional, data: ?
A todos aqueles que têm um lugar no corção reservado ao Porto Formoso, desejo umas Boas Festas e um Feliz Ano Novo.
Deixo aqui esta antiga e bela foto, de autor desconhecido. É sempre com gosto que são recordados os campos de trigo animados pelo vento de Norte, naquela que é a freguesia mais pitoresca do concelho da Ribeira Grande.
ps. aceitam-se sugestões de data para a foto, sabendo que ainda não exitiam as quintas, nem a canada do cemitério.

2009/12/11

Novo postal


Pronto. Esta é a foto do final da primeira fase das obras no porto de pesca.
Agora, os postais do Porto Formoso serão assim...
Autor da foto - O regedor, 02/12/2009, às 13h52m

E-mail

acasadamosca@yahoo.com

Agenda

Início de Colheita - Chá Porto Formoso | 2 de Maio

Lido e percebido

"Onde está a minha terra? com o seu cheiro do mar misturado com o do trigo...que a brisa trazia da "ponte" até ao meu "jardim" onde me deliciava com a conversa do "tio evaristo"???...Está tudo tão perto da minha alma pois tudo faz parte do meu ser... Foi neste Porto Formoso que nasci, cresci e saí ficando para sempre.", comentário colocado por um anónimo no post Esclarecimentos em 14/02/2008

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