2006/11/22

Piquenique no Monte Escuro

Convívio no Monte Escuro (década de 60?)

De baixo para cima, da esquerda para a direita: Delfina Casinha, Inês Casinha, José Calouro, Maria do Carmo Casinha, Amélia (esposa do mestre Manuel Casinha do Coucinho), Neta da Amélia, Maria da Luz Casinha, Maria Briló, Amélia (filha do mestre Manuel Casinha), Jenoára Casinha, Marido da Jenoára, Mestre Manuel Casinha (copo na mão), José Pereira, Antonio do Monte, Antonio da cidade.
A familia à direita com crianças são familia do Sr. José Pereira.
À direita sentados: Sr. José de Lima e o seu irmão.
De pé, da esquerda para a direita: Manuel Casinha, Jaime do Pão (com o garafão na mão) , Norbeto Perciano (com a caneca de vinho), Mestre Manuel Antão da Canada das Gentes (com o chapeú, atrás do José de Lima).

O trabalho árduo de outros tempos dava, muitas vezes, lugar à confraternização entre trabalhadores, ou mesmo, entre pais e filhos. Nestes momentos, por entre a conversa animada, perpectuava-se uma troca de saberes entre gerações que fica até aos nossos dias.

Destes tempos escreve António de Lima Raposo o seguinte:

O Último Fragueiro

“Os sinos dobravam a finados, compassando o andar dos homens que, vestidos de negro, em duas filas, acompanhavam o morto ao cemitério da Boa Viagem.
Já a cruz que precedia o cortejo se perdia de vista na dobragem da volta do adro, e o caixão, conduzido a braços por quatro homens de opa roxa, que se revezava com outro turno, ainda não saia da Canada das Gentes. Cabisbaixos, os homens acompanhavam dolentemente o Terço que o Vigário “levantara”, logo ao sair da casa do falecido.
Junto ás fontes, nas encruzilhadas das canadas com a rua Direita, as mulheres, aos grupos, conversavam limpando as lágrimas que lhes corriam, não como sinal de fingido dolo, como fariam as antigas carpideiras, mas como um sinal de um pesar verdadeiramente sentido.
De um automóvel estacionado junto ao Chafariz e em que viera uma família de Ponta Delgada á busca de uma criada, saiu um cavalheiro de respeitável apresentação, cuja idade já andaria á volta dos oitenta anos e cuja estranheza por vir encontrar numa aldeia, um tão concorrido como respeitoso cortejo fúnebre o levou a indagar quem era falecido.
Dirigindo-se pois a uma das mulheres, que meio embuçada no seu xaile, enxugava ao lenço as lágrimas, perguntou:
- Diga-me mulherzinha, por favor, quem é o morto que tem a honra de um tal acompanhamento?
- O ÚLTIMO FRAGUEIRO. Respondeu a mulher, fixando por um momento os seus olhos embaciados no seu interlocutor e a seguir nas pessoas que o acompanhavam, ainda dentro do automóvel.
Esta resposta, na aparência tão simples, mas tão inteligentemente concebida, era da mais extraordinária transcendência, alem de representar no seu conceito, um fino exemplo de da filosofia popular. Assim a compreendeu o ancião num rápido raciocínio, respondendo:
- Muito obrigado pela resposta que, creia, me despertou tal interesse que estou resolvido a também acompanhar o enterro.
Enquanto a mulher, agora estupefacta, ficou a meditar no interesse que poderia ter aquele desconhecido em acompanhar á sepultura uma pessoa para ele estranha, este, voltando-se para as pessoas com quem viera, aconselhou-as a que fossem sós tratar do assunto que ali as trouxera, visto que ele, por resolução inesperada, também ia acompanhar o fúnebre préstito.
Ocupando agora o último lugar no cortejo, alheio ás orações que se iam rezando, todo o seu pensamento se centrava na síntese daquela resposta, que ele fazia por desenvolver. Que paradoxal que é esta vida! Pensou. Ali ia a enterrar um homem cuja profissão tinha sido extinta pelo progresso, pelo mesmo progresso criador de novas profissões!
Ele que viveu da construção de alfaias agrícolas, em especial as que se dedicavam á debulha do trigo e malha das favas nas eiras, como o fossem: o trilho, o ancinho, a pá, o rodo, o mangual e a forquilha, vê-se aniquilado pelo poder da debulhadora, do tractor e do camião, este último substituindo o gado de transporte que se alimentava da fava, grandemente cultivada. Ao arado, sucedeu-se a charrua, a junta de bois, o tractor e a debulhadora.
Abstraído na sua meditação, não só não sentiu o efeito, para a sua idade, da distância já percorrida e o piso irregular do caminho, juncado com a palha de trigo das debulhas, como não notou que quase todo o cortejo se encontrava já dentro dos muros brancos do cemitério.
O agudo apito da locomóvel de uma debulhadora, vindo de Os Dez Do Engenho, cerrado mesmo em frente ao cemitério, convidando os agricultores a ultimarem as suas ceifas para a debulha do dia seguinte, veio faze-lo recordar …”

Excerto de um texto de António Lima Raposo

2006/11/17

Verão no Outono

foto: Bruno Raposo
Praia dos Moinhos, dia 6 de Novembro de 2006. Temperatura do ar e da água excelentes, céu quase sem nuvens. Quem tem saudades do Verão aproveite o Outono!

2006/11/13

Notícias no Açoriano Oriental

Só se encontravam referências ao Porto Formoso nos jornais quando surgiam notícias sobre a Festa da Srª. da Graça ou sobre o Festival da Praia dos Moinhos.
Acontece que, actualmente o número de notícias tem vindo a aumentar, especialmente no Açoriano Oriental. A semana passada atingiu o auge com 4 notícias sobre a nossa freguesia, uma delas notícia de primeira página.
Toda esta exposição mediática é excelente para o Porto Formoso, divulgando todo o potencial da freguesia e também as suas carências.
Mais, ficamos a saber quais são os projectos da Câmara Municipal da Ribeira Grande para o Porto Formoso.

Abaixo os títulos mais importantes publicados no Açoriano Oriental durante a passada semana.


- "Câmara quer apoio da Secretaria da Economia 

A Câmara Municipal de Ribeira Grande vai tentar obter o apoio da Secretaria Regional da Economia para a execução do projecto do parque de campismo do Porto Formoso.
O projecto está concluído e a autarquia já o tem na sua posse. Ricardo Silva, presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande, afirma que “irá fazer de tudo para que a sua execução ocorra entre 2007/2008”.

O autarca diz que o seu executivo está “empenhado nesta obra de grande importância turística”, até porque, afirma, “o Porto Formoso é uma freguesia muito atractiva devido à sua praia”. Considera, no entanto, que é preciso oferecer condições a quem procura a localidade da costa norte."

- "Câmara da R. Grande avança no próximo ano com saneamento básico na freguesia."

- "Balneários da Praia dos Moinhos vão ser beneficiados.
A Praia dos Moinhos, na freguesia do Porto Formoso, vai ser beneficiada com obras nos sanitários, passeios e acessos.
A Câmara Municipal da Ribeira Grande vai receber, em Dezembro, o projecto e conta lançar a empreitada a concurso logo de seguida, de modo a que a obra arranque no próximo ano. "

- "Pescadores queixam-se das condições de trabalho"

O ano de 2007 promete! Cá estaremos para confirmar... ou não. 

2006/11/08

Interesses económicos Vs interesses ambientais e paisagísticos

Devido à notícia de hoje no Açoriano Oriental (que pode ver aqui), ficamos todos a pensar o que seria melhor para a nossa freguesia e para os pescadores. Uma marina? Uma rampa de varagem? Ou um cais de acostagem?
A pergunta é complicada e espera-se que a resposta tenha em conta factores económicos, mas também ambientais e paisagísticos, porque a fazer-se alguma coisa as obras terão de respeitar a paisagem da baía mais bonita do Açores.

E-mail

acasadamosca@yahoo.com

Agenda

Início de Colheita - Chá Porto Formoso | 2 de Maio

Lido e percebido

"Onde está a minha terra? com o seu cheiro do mar misturado com o do trigo...que a brisa trazia da "ponte" até ao meu "jardim" onde me deliciava com a conversa do "tio evaristo"???...Está tudo tão perto da minha alma pois tudo faz parte do meu ser... Foi neste Porto Formoso que nasci, cresci e saí ficando para sempre.", comentário colocado por um anónimo no post Esclarecimentos em 14/02/2008

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