Interesses económicos Vs interesses ambientais e paisagísticos

Devido à notícia de hoje no Açoriano Oriental (que pode ver aqui), ficamos todos a pensar o que seria melhor para a nossa freguesia e para os pescadores. Uma marina? Uma rampa de varagem? Ou um cais de acostagem?
A pergunta é complicada e espera-se que a resposta tenha em conta factores económicos, mas também ambientais e paisagísticos, porque a fazer-se alguma coisa as obras terão de respeitar a paisagem da baía mais bonita do Açores.

Comentários

carruncho disse…
Lia noticia do Açoriano oriental mas deve dizer que fiquei muito disiludida com a ultima frase do sub-secretário a dizer que existem outros investimentos mais prioritário do que a remodulação do nosso porto de pescas que de formoso já tem pouco.È assim uns com tanto e outros sem nada mesmo nada.
Cavalete disse…
Para se perceber que projectos devem ser executados na baia do Porto Formoso deve-se, em primeiro lugar, tentar perceber o que queremos para o Porto Formoso do futuro. A minha opinião é a seguinte.

O FUTURO DO PORTO FORMOSO PASSA PELO TURISMO AMIGO DO AMBIENTE. Não passa pela pesca profissional, pela lavoura ou agro-pecuária. Daqui a 10/15 anos deixa de ser rentável ser profissional da pesca em embarcações de boca aberta devido à crescente concorrência de embarcações maiores, liberalização da pesca (as 100 milhas de protecção vão acabar) e escassez de recursos marinhos. Poderá mesmo haver regulamentação comunitária proibindo embarcações profissionais de boca aberta.

É tambem evidente que não queremos ver no Porto Formoso embarcações fechadas de grandes dimensões. Se actualmente existem 4 barcos profissionais, estimo que daqui a 10/15 anos haverá apenas 1 ou 2. Acham mesmo que os adolescentes de 10/12 anos do Porto Formoso querem ser pescadores no futuro? Claro que não. Portanto, vamos dar tempo ao tempo e manter a areia da nossa baia. Nada de rampas de varagem ou cais de acostagem. Além disso, o Porto de Rabo de Peixe fica apenas a 20 minutos de carro do Porto Formoso. Dependendo da dimensão do negócio, um pescador profissional pode sempre viver no Porto Formoso e ter a embarcação no porto de Rabo de Peixe.

Quanto à marina, julgo não serem necessários comentários. Claro que não. Seria um atentado ambiental. Sou sim a favor da recuperação de algumas das casas dos pescadores para apoio a embarcações turísticas que nos visitam (e que devem ficar a boiar na água).

Mas é evidente que sem barcos de boca aberta a nossa baia não tem piada. Por isso é que acho que o futuro do porto dos barcos passa pelas embarcações pequenas de pesca desportiva. Uns chicharros, uns bodiões e umas garoupas para animar a malta nos tempos livres.

O importante sim é a limpeza da nossa areia e do atalho até à areia do cabo. Pena é que o atalho porto dos barcos/areia do meio continue demasiado estreito, por vezes com as ervas a baterem nos joelhos e sem uma proteccção em madeira (amiga do ambiente).

Importante será também a recuperação do castelo e ordenamento da encosta que vai dar ao campo de futebol. Um atalho (em condições) de ligação do porto dos barcos ao campo de futebol aumentaria a atractividade da baia.

Claro está que o FUTURO do Porto Formoso também passa pela praia dos moinhos, campo de campismo, mini campo de golfe e aldeamento turístico na ponte, passeios pedestres, festa da NSG, boa comida, chã e umas cervejolas com os amigos.

Se juntarmos a isto um parque de lazer e bons equipamentos desportivos na zona do campo de futebol, o pavilhão multi-usos, um pub e um coreto na casa em frente à igreja (Gil Serra), teremos certamente um Porto Formoso moderno e com Futuro!
Cavalete disse…
leia-se "crianças de 10/12 anos" em vez de "...adolescentes de 10/12 anos...".
sono1 disse…
Das seis embarcações de pesca profissional do nosso porto, três são do Porto Formoso; Eugénio Rodrigues; Ricardo Araújo; Américo Silva, e três naturais de outras freguesias; Fagundes; rinci e Manuel Baboso, são os apelidos em que são vulgarmente conhecidos.

Actualmente o pescado é descarregado totalmente na lota de Ponta Delgada, tendo a lotaçor várias viaturas para a recolha desse pescado. Sabendo nós da localização geográfica do nosso porto, só por si vem justificar que se façam melhoramentos de apoio ao nosso porto de pescas, respeitando sempre as questões ambientais.

Com as criações de apoio criadas estou certo que em vez de seis embarcações de pesca profissional iríamos ter muitas mais, oriundas de outros portos.

O Porto Formoso deve ser uma freguesia virada para o mar, respeitando sempre, o que um dia a natureza nos contemplou!

Pelos vistos existem questões pertinentes a sair da nossa terra na imprensa escrita regional!

Com um forte abraço.
AGUIA disse…
Esses cavalheiros que se queixam da falta de investimentos no porto de pescas também deveriam referir a falta de fiscalização em vários aspectos, principalmente no pescado e marisco que sai do mar sem ser taxado e nos salários que fazem ao pessoal da companha.
Consta por aí que alguns membros da companha foram notificados pelas finanças para pagarem IRS sobre salários que não haviam recebido. Então o dono do barco apressou-se a pagar imediatamente aqueles valores para se evitarem problemas.
Se as pessoas não cumprem as suas obrigações fiscais como é que têm coragem de exigir melhoramentos ao governo??
JASRAPOSO disse…
As estatísticas revelam que as organizações e/ ou grupos que realizam reuniões periódicas são mais eficazes do que os seus congéneres que não têm tal prática.

As reuniões dão lugar ao debate e á possibilidade das pessoas expressarem as suas ideias, melhorando o ambiente e evitando os
conflitos.

Tornam-se, pois, muito importantes os encontros que aqui são efectuados à volta dos temas lançados pelo Regedor.

No forum desta semana nota-se que os seus participantes prepararam cuidadosamente as suas opiniões, o que vem valorizar muito este blog.

Pena é que algumas(?)muitas(?)destas pessoas não apareçam no terreno, de modo a que o seu contributo em prol da freguesia seja ainda maior.

Vivemos numa sociedade livre e, como tal, temos de ser capazes de definir o que queremos, agindo posteriormente de modo a alcançarmos esse alvo.
JAGPacheco disse…
Porto Formoso, ano de 2030

O autocarro parou em frente ao Jardim, o grupo de turistas nórdicos ainda não arranjara ângulo para apanhar a baia numa única foto. E o guia já começara a lengalenga habitual: neste Porto que dá o nome à Freguesia, existiu caça à baleia até aos princípios do século XX. Enquanto que a pesca profissional se prologou até ao princípio deste século XXI. Actualmente a população dedica-se ao sector terciário e ao rendimento m …..

Penso eu de que os turistas gostam de ouvir falar de História e Paisagem, mas gostam de conhecer as actividades económicas com destaque para as tradicionais, pesca e a lavoura inclusive. Gostam ainda mais de provar os produtos produzidos na Região.
Estas actividades também podem ser amigas e compatíveis com o ambiente, a pesca artesanal mais do que a pesca industrial.

Num outro sector da actividade económica, o comércio, nos países onde as grandes superfícies já existem á alguns anos, ao contrário do que seria previsto, não deixaram de existir as pequenas mercearias. Do mesmo modo, acredito no futuro da pesca artesanal. Desde que sejam criadas as mínimas condições para estes profissionais exercerem a sua actividade.

Saudações Formosas
Cavalete disse…
O Benfica vai entrar no livro do Guinness como o clube com maior numero de socios. E o maior do mundo!
AGUIA disse…
Não deixam de ser engraçadas as reportagens efectuadas sobre o Porto Formoso que sairam esta semana num jornal diário. O que é estranho é que não veio a público a reportagem que falava sobre o salão multiusos.
Alguém consegue explicar??
Cavalete disse…
Talvez um telefonema a jornalista Luisa Couto do Acoriano Oriental possa ajudar: 296202832 (telefone do AO).
Cavalete disse…
As explicacoes...

De facto, a jornalista Luisa Couto iniciou a reportagem mas depois assumiu novas funcoes dentro do Jornal, abandonando o trabalho que vinha a desenvolver. Deixou de ser colaboradora no forum local.

A nova colega responsavel pelo forum local e a jornalista Paula Gouveia. Segundo palavras da propria, "...o problema parece muito importante para a populacao...vou tentar averiguar o que se passa." Ficamos a espera.

Mesmo a calhar, dentro de dias vai sair uma reportagem sobre o multiusos de S. Bras.
sono1 disse…
Na edição de ontem do Açoriano Oriental o Porto Formoso volta a ser novamente noticia.
Câmara da R. Grande avança no próximo ano com saneamento básico na freguesia.
Possivelmente foi essa a prenda que o edil veio anunciar na recente reunião camarária.
Estranho o facto de ninguém ter comentado esta notícia tão importante para a nossa freguesia!

Com um forte abraço.
O Regedor disse…
A questão da construção de estruturas de apoio para a prática da pesca no Porto Formoso é de díficil abordagem e pode ferir muitas susceptibilidades.

Devem existir muitas opiniões diferentes, mas penso ser unânime que se devam dar melhores condições aos pescadores sem prejudicar o ambiente e a beleza natural da nossa baía (condição essencial para o futuro do turismo).

A pergunta principal será então que infraestruturas são essas que são necessárias e não prejudicam o futuro turístico?

Não me parece que o futuro do Porto Formoso passe nem pelas pescas nem pela agricultura, mas sim pelo Turismo de Natureza. Contudo, para esse tipo de turismo ter sucesso a freguesia tem de ser um "museu vivo" e as actividades como a pesca artezanal, a agricultura, os pomares são necessários porque ligam o Homem, de uma forma muito próxima, à natureza.

Do ponto de vista de um pescador, que faz da pesca o seu dia-a-dia, quanto mais infraestruturas melhor. Eu compreendo o ponto de vista deles, mas aqui trata-se de definir o bem comum e não o bem de uma classe.

Assim, sem ser nenhum especialista, defendo que devem ser dadas melhores condições de trabalho aos pescadores, nomeadamente um guincho mais potente e melhores condições de varagem e casas de aprestos. Não concordo com a criação de um cais de acostagem nem de uma marina porque isso ia descaracterizar a paisagem para sempre.

Claro que os pecadores têm direito de exigir que algo mude, mas também a freguesia deve exigir algo dos pescadores: não sujar a nossa areia com peixes mortos, anzois, redes e sedas.
Talves os pescadores de gerações mais novas respeitem mais isso e façam como o Pontinhas "deixa a praia limpa!".

Cumprimentos
soneca disse…
já repararam como o nosso porto formoso está mais bonito depois de tapados os buracos(até junta freguesia, pelo menos)e colocado novo ''pavimento''????esperemos k não chova intensamente nos próximos dias, senão coitadas das casas junto ao porto de pescas.aproveitem kem está a fazer obras em casa.sarisca é o k não falta´...
Cavalete disse…
Parque de Campisto previsto para o verão de 2008. Mais vale tarde do que nunca!

Noticia do AO.

"Câmara quer apoio da Secretaria da Economia
12/11/2006
por PG

A Câmara Municipal de Ribeira Grande vai tentar obter o apoio da Secretaria Regional da Economia para a execução do projecto do parque de campismo do Porto Formoso.
O projecto está concluído e a autarquia já o tem na sua posse. Ricardo Silva, presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande, afirma que “irá fazer de tudo para que a sua execução ocorra entre 2007/2008”.

O autarca diz que o seu executivo está “empenhado nesta obra de grande importância turística”, até porque, afirma, “o Porto Formoso é uma freguesia muito atractiva devido à sua praia”. Considera, no entanto, que é preciso oferecer condições a quem procura a localidade da costa norte."
JASRAPOSO disse…
A Casa da Mosca tem vindo a despertar nos nossos emigrantes um sentido cada vez maior de amor ao Porto Formoso, assim como aos seus descendentes que nasceram no estrangeiro.

Vem isto a propósito da conversa que abaixo transcrevo e que me foi contada por estes dias.

Um dos nossos emigrantes dirigiu-se, numa cidade do Canada, acompanhado dos filhos, aos serviços consulares para reguralizar o seu Bilhete de Identidade.

Na altura em que o referido emigrante estava a assinar os impressos do BI estabeleceu-se um pequeno diálogo com o funcionário da embaixada, que foi interrompido pelo filho nestes termos:

- Meu pai!! Eu também quero ter uma coisa destas. Eu também sou português e do Porto Formoso, apesar de ter nascido aqui no Canada.

Este pai, como muitos dos nossos emigrantes, cumpriu as suas obrigações - Ensinou aos filhos que o respeito pelas origens é acto de congruência dos cidadãos cultos e honestos.

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