Castelo

foto de parapente onde se pode ver o Forte de São Brás. Autor: Simão Rego

Ficha no livro do Inventário do Património Imóvel dos Açores



Classificado no Inventário do Património Imóvel dos Açores, o Forte de São Brás, também conhecido por Forte de Nossa Senhora da Graça ou por Castelo, é uma edificação de defesa militar do séc. XVII contruída na Baía Formosa, freguesia do Porto Formoso.

Segundo o Coronel Rodrigo Alvares Pereira, no trabalho intitulado “Monumentos Histórico-Militares Micaelenses”, Isulana, 1947, "Este forte tinha 8 canhoeiras, paiol e quartel para 11 praças, defendendo uma das melhores baias da costa N da ilha.
Por ocasião do desembarque das tropas liberais na Achadinha, este forte foi abandonado pela guarnição Miguelista, depois de encravada a artilharia.
Em 1817, estava arruinado e desartilhado. Em 1820 foi reconstruído e artilhado com 4 bocas de fogo.
Em 1846 ainda era considerado como uma boa fortificação, tendo-se arruinado, até que em 1909 apenas existiam ruínas de pouco valor.”

Actualmente esta fortificação carece de restauro imediato. O Castelo tem sofrido muito com a erosão proveniente das grandes ondas que por lá rebentam em dias de ondulação Norte/Noroeste, em parte devido à pedra que foi de lá retirada para a construção da antiga muralha do porto de pescas.

Espera-se que com a intervenção actual a decorrer na baía, se não se fizer a recuperação do Castelo, pelo menos, coloquem umas pedras de forma a proteger o Forte.

É só para daqui a 50 anos os nossos netos poderem vê-lo... mais nada.

Comentários

Kafia disse…
Espero mesmo que recuperem este forte!
Deveria ser uma lindo monumento em vez de ruínas!
Silva disse…
Parabéns ao Regedor é um bonito posto pena é para quem não conhece a freguesia,devia haver um apontador indicando o local,muito bem comentado, já tinha ouvido dizer que tinha servido, em tempos de vigia às Baleias? à muitos anos atrás. No meu tempo só me lembro de ser um curral,de criação de porcos supõe ser do Sr. José Miguel.Pois espero, já não existir peças de Artilharia.Se ouve-se uma planta do antigamente não tinha duvidas na sua recuperação. A ver vamos
Um abraço do Silva
deus2deus disse…
Mais um post para a história!
Este blog já fez mais pela história do Porto Formoso do que qualquer outro livro ou pessoa.

Adeus
px disse…
Parabens ao Regedor pelo post!
São muitos os monumentos que a história deixou nesta região, neste arquipélago dos Açores.
Porto Formoso nao foi excepção. Agora quando se fala em remodelações..bem...se for no Porto Formoso...no coment...
Oxala os nossos Politicos a quem o povo votou e colocou no poder, o consigua recuperar, pois trata-se de mais uma das mais valias do Porto Formoso, em que depois de remodelada para além de transportar a história de um povo, seria mais um ponto turistico na freguesia. Uma silhueta de história dessa terra. Nao "deixemos" que isso fique presente apenas em fotos e memória de quem conhece ou conheceu. Abraços.
JASRAPOSO disse…
O Castelo faz parte da história do Porto Formoso. A situação a que chegou o nosso castelo é um pouco daquilo que criamos dentro de nós e refecte-se no seu estado actual.

A nossa sociedade, mercê da educação recebida, procura ligar-se ao materialismo, colocando em plano secundário os valores recebidos dos seus antepassados e da sua história.

A Câmara da Ribeira Grande tem nos seus quadros um director - Dr. Mário Moura - que tem desenvolvido um excelente trabalho na área da museologia. Só que, talvez por instruções da Câmara, essa acção tem-se pactuado apenas pela cidade.

Porque não estender este trabalho também às freguesias do concelho?

Porque não recuperar o Castelo e construir lá o nosso museu?

Quem não gostaria de ver exposto o tear da sr. Elzira Branca, os apetrechos do mestre António sapateiro e do mestre Estevão, os #mechins# de cortar o cabelo e a barba do tio Leonel e do Manuel Vegas?

Qundo é que haverá uma descentralização da cultura no nosso Concelho?
JASRAPOSO disse…
Começaram esta Segunda-Feira as obras dos balneários na Praia dos Moinhos.

Com um orçamento de 500 mil euros a Somague - Ediçor deverá ter a obra concluída no início do mês de Junho.

A obra contempla balneários para ambos os sexos, assim como para deficientes e uma arrecadação para o material de apoio à vigia e segurança da praia.

Os frequentadores da praia passarão a ter condições dignas de higiene e segurança já a partir deste ano. Oxalá as saibam conservar...
JASRAPOSO disse…
Apresentação do livro "Logo, em Porto Formoso"
Na próxima Sexta-feira, dia 21 é apresentado o mais recente livro de Carlos Mota de Oliveira, de título Logo, em Porto Formoso. A apresentação do livro, que conta com a presença do autor, está a cargo de Joaquim Oliveira Caetano, director do Museu de Évora.

No dia a seguir à apresentação do livro A razão dos avós, de Daniel Sampaio (para o qual ainda se pode inscrever), a Biblioteca Pública volta a acolher mais um lançamento.

"Logo, em Porto Formoso", como escreve Pedro Portugal em Artcandal "é uma summa literária admirável. Uma instrumentalização do humano utilizando todos os géneros de discurso e narrativa: romance, poesia, prosa, argumento, fraude, ficção e teatro".

A obra conta com o prefácio de João Lobo Antunes onde refere que "este livro é, antes de mais, um fabuloso trabalho de linguagem que aproveita frases feitas, provérbios e locuções familiares e inventa palavras, esticando o sentido de outras, por vezes com um humor feroz, por vezes quase perverso e saudavelmente satírico. Fustiga costumes e vícios e falsas virtudes do tempo do fascismo em Portugal e tão-pouco poupa os desmandos do presente, a corrupção generalizada, entre nós e em todo o mundo".

Carlos Mota de Oliveira nasceu na cidade de Lisboa, em 1951. Passeou-se pela Escola Primária na ilha de S. Miguel, o Liceu em Luanda e Lisboa, a Universidade na cidade de Évora. Escreve, publica e é publicado desde 1973.

A sessão é de entrada livre.
aguia disse…
Fez no passado dia 5 um ano que foi publicado, no Diário da República, o anúncio para aprentarem propostas para a recuperação do edifício da Casa do Povo no Porto Formoso.
As propostas foram apresentadas, colocaram no edifício o licenciamento da obra E NADA. Será que não há responsáveis por esse marasmo e que o Porto Formoso não tem gente capaz de levar este assunto a quem de direito?
px disse…
xiii! O tempo que já levam no projecto da casa do povo vai durar de certo até que o mesmo se tranforme no " castelo II ", esse sim, irá carregar e transportar a história da ignorância a que foi submetido por parte dos responsaveis politicos.
A licença ja lá esta,como diz o aguia, mas nao ah stress de certo que perto das proximas eleições havera noticias.
Abraços
JASRAPOSO disse…
Reitoria da Universidade dos Açores



Este edifício foi mandado erigir pelo visconde de Porto Formoso, Jacinto Fernando Gil, para sua própria habitação em 1892/1895. Posteriormente o visconde passa por dificuldades financeiras, tentando vender o imóvel para a instalação de um hospício, fracassando. É comprado pela família Berquó de Aguiar. Na década de 60 funcionou aqui o Magistério Primário. Tornou-se seguidamente residência do Governador. A última função, e actual, é a sua ocupação pela Reitoria da Universidade dos Açores. Em 1989 deflagrou um enorme incêndio que o destruiu por completo. Possui fachadas simétricas, tendo apenas varandas no 1º piso. O rés do chão é elevado, possuindo cave no subsolo. Volumetricamente é constituído por dois volumes, um principal e um na parte posterior mais pequeno. Os jardins fazem parte da propriedade original mantendo-se ainda minimamente de acordo com o que eram.
JASRAPOSO disse…
Olhe qu’ê gosto munto do João Cravalho, aquilo nã era partida qu’ele me fezesse. A gente só pode levar duas garrafas de bebida, dizem qu’a lei nã permete nem sequer essas duas, mas eles fechim os olhos s’a gente nã leva más que duas. Quer-se dezê que eu levê aquelas duas e nã podia levar más ninua. Uma era pra ofrecer ó mê doutor, um belo home, que até fala uma nisquinha de pertuguês, e tá sempre numa ipequeia comigo, quer qu’ê largue a bebida, mas, mê rico amigo, um home bebe desde o breço, nã há modos de largar, nã le parece? Isto nã é mintira ninua, era cma todos os outros pitchenos do mê tempo, mal davam um grito as mãs pansavam qu’era dôs de barriga, ala dar-les licô de esprite de canela, a gente ficava era bêbedos, coutadinhos, ó dispous, já más maorzinhos, era sopas de cavalo cansado, sabe isto o que é, o sê pai tamam dava às mulas uma garrafa de vim e um pã trigue, antes da viage da cedade prà Maia, sete léguas aluídas por aí adiante, entanse pra subir a Croa da Mata, mas más principalmente o Coucinho do Porto Formoso, aqui os carroceros tinham de metê a giga nos varales da carroça pra dar uma ajuda às bestas. Nos Calços, a camineta, qu’era a cravão, nã subia, os passageros tinham de descer e dar uma ajuda a impurrar, o malero ponhava uma pedra mal ela subia uma becadinho, os homes tomavam folgo e ala outro impurrãzinho. E cando era pra sair aqui da Maia, o malero ia aí plas quatro da manhã acender a caldera, despous a camineta tomava balanço pra pegar pla rua da igreja abaxo, se não pegava tava lá em baxo uma junta de bous pra a levar pra riba até à igreja, e lá ia ela por ali abaxo até pegar. E no Coucinho do Porto tava sempre outra junta.
Pous, fu ê munto prezado ofrecer uma garrafinha ó mê doutor, nem faz ideia cm’aquele home tratou a minha mulher, qu’ela morrê fou porque teve de sê, era uma santa, o que penou comigo só Dês sabe e ê tamam. É por isso que agora que tou viúve e na ritaia venho cá más vezes, mas esses coriscos pregam-me cada partida qu’ê nunca m’alembro de ter feto igual a outros, e inda menos a eles, mês ricos amigos. Mas esta fou ideia do João Cravalho, que se ri cm’o demoino cando le conté, e ê tolo inda le fu contar o que m’acontecê. Pous segue-se que cando ê incontré o doutô, despous de le dar a garrafinha, era de Macieira, tava à espera qu’ele me fezesse um elogio, qu’aquilo vendo era mesmo Macieira, eles fezeram a cousa munto bem feta, era tal qual. Um elogio, isso é qu’era bum! Cal-te-cá elogio! Sabe o qu’ele me disse? Os coriscos tinham botado era chá nas garrafas, qu’ê despous provê a outra, que tinha na ideia ofrecê-la a outra pessoa amiga. O doutor ri-se e disse-me, ele fala uma nisquinha de pertuguês, já le disse, “Ó senhor Franco, a aguardente na sua terra é munto fraquinha.”

Texto do poeta DANIEL DE SÁ
Helder Araújo disse…
Quem faz jus ao título de "grande homem"?
Não sei...
O homem inteligente?
Não basta ter inteligência para ser grande...
O homem poderoso?
Há poderosos mesquinhos...
O homem religioso?
Não basta qualquer forma de religião...Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder, e muita religiosidade - e nem por isso são grandes homens.
Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.
Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a verdadeira liberdade de espírito...
Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes.
Pode ser que a sua perfeição venha mesclada de um quê de acanhado e tímido, com algo de teatral e violento.
O grande homem é silenciosamente bom...
É genial - mas não exibe gênio...
É poderoso - mas não ostenta poder...
Socorre a todos - sem precipitação...
É puro - mas não vocifera contra os impuros...
Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo...
Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido...
Domina - mas sem insolência...
É humilde - mas sem servilismo...
Fala a grandes distâncias - sem gritar...
Ama - sem se oferecer...
Faz bem a todos - antes que se perceba...
"Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante - nem se ouve o seu
clamor nas ruas..."
Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém...
Abre largos espaços - sem arrombar portas...
Entra no coração humano - sem saber como...
Tudo isso faz o grande homem, porque é como o Sol - esse astro assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz delicado para beijar uma pétala de flor.."



Huberto Rohden

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http://naturezamar.blogspot.com
JAGPacheco disse…
Tenho andado ou pouco arredado da “Casa da Mosca” mas pela importância dos últimos temas aqui postados também gostaria de comentar:
O Castelo ou forte da Senhora da Graça é um testemunho dos séculos de isolamento a que estas ilhas foram sujeitas e das preocupações de defesa das suas populações, expostas ás incursões e aos ataques dos piratas.
Logo, são lícitos todos os comentários que defendem a salvaguarda deste património histórico.
Este tipo de construção utilizava materiais (pedra) do próprio local. E dali também saiu muita pedra para a construção de casas que, hoje em dia, se vão demolindo no Porto Formoso. Seria pertinente utilizar esta pedra (aparelhada) na reconstrução do Castelo.

Associado a esta obra do Porto Também tem de estar a solução da foz da Ribeira do Lugar, para não se correr o risco de rapidamente se criar uma “sopa” poluída e mal cheirosa no interior do mesmo. E já agora a criação de um acesso pedonal e praia artificial na “Areia do Meio”.

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